De Roncesvalles em direção a Zubiri.
A distancia de 21,8 km de Roncesvalles até Zubiri, por ficar abaixo da minha média diária, deu vontade de prosseguir um pouco além, e pernoitar em Larazoaña.
Larazoaña fica apenas a 5,3 km depois de Zubiri.
Pernoitei mesmo em Zubiri.
Lembro de ter chegado a Zubiri totalmente convencido de que já andara o suficiente.
Conhecer o relevo do caminho, nos permite antever o grau de dificuldade da jornada.
Assim, ir poucos quilômetros de um lado para outro do Pão de Açúcar, no Rio de Janeiro, pode significar ter que escalar uma parede de pedra!
Entretanto, para quem deixou para trás os Pirineus, o caminho de Roncesvalles até Zubiri é um desafio sem comparação.
Assim como uma dor maior nos minimiza a menor, ou um grande sofrimento nos capacita a enfrentar melhor os menorezinhos, os Pirineus ainda estavam recentes demais para alguém reclamar de subidas e descidas tão curtas!
Além do mais, não estava chovendo. A temperatura subira para uns 12º C, e ventava pouco. É verdade que quase não havia sol! Mas e daí? Até pequenas localidades por onde passar, havia: Espinal, Alto de Mezkiritz, Biscarreta, Lintzoain e Alto do Erro.
Achei que a beleza dos Pirineus, essa vemos de longe! De cima pra baixo. A partir de Roncesvalles a beleza chega mais perto da gente.
Ela maravilha ainda mais e melhor.
Nesse trecho, os primeiros encontros com peregrinos desconhecidos que continuariam desconhecidos, e com outros que nem tanto assim.
Tenho para comentar as belezas que vi, e essas as fotos mostrarão. Também os primeiros encontros com outros peregrinos, e até aqui muitos deles eram brasileiros!
O segundo brasileiro que encontrei foi Paolo. Em Roncesvalles. Conterrâneo de Recife, mas que vim a conhecer no Caminho.
Sim, realmente, não falei ainda qual foi o primeiro!
Depois conheci um, pai e filha. Eram de São Paulo, e ele não resistiu aos Pirineus, tendo prosseguido de táxi para Roncesvalles. Ela porém continuou e conseguiu.
E ainda, Rodrigo! De São Paulo, Paulistano, fotografava com uma GoPro, igual ao OIvo. O dedo também dolorido de tanto apertar aquele botão de disparo tão duro.
O Alcides dentro da sua cabeça reformulava os seus planos, ainda abalado pela súbita volta de Ivo. Não mais iria até Logroño, decidiu. Seguiria somente por mais esta e a próxima jornada, até Pamplona. De lá tomaria um trem para Sarria e faria os 115 km finais até Santiago de Compostela.
Mas qual o primeiro dos brasileiros que encontrei no Caminho?
Foi a poucos quilômetros após termos saído de Saint Jean, no primeiro dia da nossa caminhada. Ainda estávamos os três, Ivo, Alcides e eu.
Passou por nós um peregrino apressado, mas não tão apressado que depois de por nós passar, não se desse o tempo de retornando, perguntar por meio de gestos, se poderíamos tirar dele uma foto. Em seguida, logo percebendo que éramos brasileiros, desmanchou-se em um sorriso e perguntou em bom português de Fortaleza, se dele poderíamos tirar a foto.
O sotaque era tão inconfundível que em lugar de confirmar que ele era cearense, quase perguntei: de que bairro você é em Fortaleza?
Augusto, esse era o seu nome, obtida a foto, falou algumas coisas pessoais. Havia concluído a construção de uma casa em um Alphaville e resolvera fazer o Caminho para desparecer. Mas uma preocupação persistia. Ele tinha uma data que o pressionava a terminar logo o Caminho, para não perder o aniversário da sua mulher. E dito só isso disparou à nossa frente como pensei que só os alemães conseguiriam fazer.
Nunca mais o vimos! Mas confesso que a sua aparição e rápido desaparecimento em meio aquela serração me deixou a permanente lembrança não só dele como da nossa sociedade inteira!
Com Augusto.
Rodrigo.
Alcides.
Alcides.
Alcides.
Banana é uma das minhas frutas preferidas!
Por sorte ela é rica em potássio.
E devemos consumir potássio durante
grandes esforços físicos, para evitar caimbras.
São comuns as placas em memória de peregrinos
que "abraçaram Deus" ao longo do Caminho.
O que me ocorre é que falar assim nos leva a que
com justa razão, pensemos:
Deus me livre de abraçar Deus durante o Caminho.
:-) :-) :-)
:-) :-) :-)
"Parada Técnica" - resfriamento das patas.
Os Micropores nos dedos são preventivos.
Micropore em espanhol: esparadrapo de papel.
Sem dúvida, Oalcides também acha que descansar sentado é melhor.
Ao fundo, casal sabido de peregrinos,
e seu jumentinho porta-mochilas.
Ao fundo, casal sabido de peregrinos,
e seu jumentinho porta-mochilas.
Peregrinos iniciando a descida para Zubiri.
Buen Camino, Peregrino!
Juca, que jornada gloriosa! Quanto mais vejo as fotos, mais me sinto parte do caminho! Corre o risco de durante o percurso acabar comprando uma casa por lá....como fez a protagonista do filme Sob o Sol da Toscana! rs! Obrigada por me inspirar!
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