domingo, 3 de agosto de 2014

Dia 03 de maio - Dia da Partida. (J 01/32)

Começa a Jornada 01/32 (J 01/32).

 Sem o pequeno e leve tripé no qual instalei a minha 
pequena câmara, esta foto com o acionamento 
por controle remoto, não teria sido possível.

Eram 6h 30 do dia 03 de maio, quando incrivelmente dispostos, deixamos o albergue em Saint Jean Pied de Port para cruzar os Pirineus com destino a Roncesvalles.

O tripé não mais seria usado.

Nas duas únicas vezes em que poderia tê-lo voltado a usar, ao perceberem minha intenção, surgiu quem solicitamente se oferecesse  para fazer a foto.

Além disso, sempre tive à mão, o recurso do "selfie".



O selfie aqui nos confirma o quanto estávamos
realmente "superiores ao mau tempo".

O frio de 2 Graus Centígrados com sensação térmica de menos um Grau, a chuva, e o vento principalmente à tarde, exigiram que eu me protegesse muito bem!


Não são Miúras, os touros no meu Caminho.
Às vezes nos assustamos com o que não deveríamos temer!
É assim no Caminho, como na vida!

Devo antecipar que o mau tempo na jornada Saint Jean - Roncesvalles, a primeira jornada do total de trinta e duas (Jornada 01/32), justificou que eu usasse alguns itens que levei, os quais não voltaria a precisar depois.

Os itens que usei nesta primeira jornada os quais considerei dispensáveis para as jornadas seguintes: polainas (olhe para as minhas canelas um pouco acima das botas para vê-las), calça corta vento, camisa corta vento, e cachecol.

A decisão de despachá-los junto com o tripé para os Correios de Santiago de Compostela, foi precedida de uma espera de uns poucos dias. Afinal, às vezes, a lentidão (até mesmo para resolver algo) é o contrário da precipitação.

De Nájera, nove dias depois, acreditando como na música de Chico Buarque que viria por aí bom tempo, despachei tudo isso e mais alguma coisa que depois contarei.

Se deu certo? Deu! Só comprei de volta um novo par de polainas em Leon, que por sinal, podem anotar aí, apesar de uma grande cidade, não tinha loja da Decahtlon, até o dia 21/05/14, quando lá passei!

O peso total do que eu viria a despachar de Nájera para Santiago de Compostela, pagando por isso nove Euros, foi de 1 kg 400 gramas.

A minha mochila emagreceu de 8,5 kg para 7,1 kg, e essa perda total de massa aliviou-me também a alma.

Estabelecia-se assim para mim, pela primeira vez, o real significado da importância de "livrar-se da ilusão do indispensável".

A primeira e mais importante lição do Caminho estava na mochila. 

Talvez por dois motivos:

1. Por nos convidar a uma reflexão a respeito dos pesos que carregamos desnecessariamente pela vida afora.

2. Por assim nos revelar que o Caminho é uma metáfora da vida.

Obs: Percebo que esse Blog só é possível pela minha superação do perfeccionismo! 


Um comentário:

  1. bons aprendizados e interpretações da vida!!! estou adorando as novas publicações! pretendo ir no final de maio para não pegar tanto frio assim!

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