sexta-feira, 5 de setembro de 2014

J 03/32 - Parte IV - Pamplona - Pela Primeira Vez.

E em relação à minha primeira passagem por Pamplona?

Foi assim:





No trem Madrid - Pamplona.



Alcides e Ivo alegres: 
Um vagão inteiro de Primeira Classe, só para nós.


Chegamos mesmo, na hora que eu disse!
A foto é de cinco minutos após a chegada.


Pelo menos na Festa de São Firmino,
os touros costumam se dar bem!



A Festa de São Firmino em Pamplona,
acontece anualmente entre 6 e 14 de julho.




Assustador!
Estaria o Leão para o contribuinte brasileiro do Imposto de Renda,
assim como o touro para os contribuintes do fisco espanhol?


Amarelados pelo medo,
é desta igreja que "parte a festa". 


Escolhemos com calma o restaurante onde almoçar.



Não! Não escolhemos o La Mafia.
Optamos pelo Taberna.
Preferimos nos reunir só os três.



O Alcides com foco na sopa.

Tendo chegado a Pamplona antes das 11 h, tivemos até as 15 h 30 para a troca de chips do celular, passear pelo Centro Histórico, e almoçar. Nos deslocaríamos então para a frente do abrigo Xarma, onde às 16h encontraríamos com Juan.

À frente da Igreja da  foto acima, um senhor que parecia octogenário, era também um grande conversador. Perguntou de onde eu era, de onde eu começara o caminho, em quanto tempo pretendia terminar, e até fez alusão a Copa do Mundo de futebol no Brasil. Só não falou dos sete a um, naturalmente porque ainda não tinham acontecido.

Um amigo que o acompanhava, os dois eram de Valencia, fez questão de me dizer que aquele senhor era um dos mais antigos peregrinos do caminho de Santiago, pois costumava fazê-lo desde jovem, e por dezenas de vezes.

Embora não fosse italiano e sim espanhol, aquele homem tão vivido não esqueceu de também exaltar o caminho pela presença de belas mulheres de todo mundo, as quais, segundo ele, costuma-se encontrar por lá! "Belas Chicas! No? Muito bom para namorar". Dizia ele muito animado, como se ainda hoje O Caminho continuasse a lhe despertar o interesse, por esses velhos motivos! 

No Restaurante Taberna, éramos só nós quando sentamos à mesa.  A construção pareceu-me bastante antiga, inteiramente de pedra, e não foi difícil imaginar que soldados de Pompeu, que fundou a cidade em - 3 a C, comeram e beberam ali. Talvez o proprietário já tivesse trocado as mesas! Continuavam porém poucas, porque o espaço não mudara com o tempo.

Quase não havíamos sentado, e ao nosso lado já estava a nos oferecer e explicar o cardápio, uma mulher que me chamou a atenção pela rapidez. Não sei bem quantas palavras ela era capaz de dizer por segundo, mas certamente tratava-se de uma recordista.

Talvez nem precisasse ser tão rápida, embora fosse a única, para dar conta das outras quatro mesas a nosso redor, embora uma delas fosse maior que todas as outras. Oivo, perito em comunicação por mímicas lentas, tentou trazê-la para um modo menos allegro, mais andante! Já que com ela piano nem pensar...

Fomos servidos com grande presteza, e enquanto almoçávamos, como em um passe de mágica, clientes chegaram quase de uma só vez e ocuparam três das mesas restantes, inclusive a maior.

Em seguida porém algo muito intrigante aconteceu. Cresceu a impaciência dos clientes nas mesas vizinhas, todos espanhóis, pela demora em que lhe trouxessem a ´Carta´.

Ninguém do estabelecimento se fazia presente. Ninguém tinha sequer a quem reclamar. Duas senhoras em uma mesa ao lado, olhavam em nossa direção, manifestando intenção de desabafar com alguém sobre o absurdo de tamanha falta de atendimento.

De repente assistimos da mesa maior, levantarem-se as oito pessoas que a ocupavam. Como as atletas olímpicas do nado sincronizado, precipitaram-se em direção à saída, sem contudo exibirem a mesma graça. Pelo contrário!

O mesmo descontentamento com a demora, acometeu os demais comensais em potencial. Deviam estar todos famintos e com hora para voltar para o trabalho! Um a um, os demais clientes foram se levantando e embora menos sincronizados que os primeiros, foram deixando o restaurante, que só não esvaziou de vez porque nós continuamos.

Apareceu enfim o gerente quando nada mais era possível fazer para detê-los, e só restava assistir estupefato à debandada geral. Como pode isso acontecer? Ele Devia pensar, enquanto procurava pela jovem espanhola encarregada de servir as mesas.

O enigma me reportou, enquanto continuava a almoçar, a um episódio antigo que aconteceu comigo. Quem sabe ele não elucidasse a questão?

Morei sozinho por quatro anos em um apartamento em cujo prédio o porteiro da noite era um senhor idoso, chamado José.

Um dia cheguei no meu carro eram 22 h e estando o portão fechado, dei sinal de luz e até buzinei, mas passou-se um bom tempo até que finalmente ele aparecesse para abrir o portão.

Levando em conta a sua idade, preferi não dizer nada, esperando que isso não voltasse a acontecer.

No entanto, dias depois, o mesmo fato se repetiu, e aumentou o meu descontentamento! Fosse a espera em um restaurante, e eu já teria ido embora. Resolvi que caso acontecesse uma outra vez, aí sim conversaria com ele a respeito.

Não demorou muito para que o mesmo fato se repetisse, agora pela terceira vez. Quando finalmente apareceu o Sr José vindo apressado abrir o portão, eu já estava fora do carro, mas não fui o primeiro a falar. Olhando para mim com expressão de irritação, o Sr José foi o primeiro a reclamar:

- Também!!!!! O senhor só chega na hora da minha "precisão"!

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