sábado, 13 de setembro de 2014

J 04/32 - Parte III - Pamplona - Puente La Reina.

Os instantes de contemplação da beleza do Monte do Perdão, foram divididos com o saborear de um suculento sanduíche de queijo (Bocadillo) e um delicioso suco de laranja.




Fazia muito frio, ventava, e era audível o som das ventoinhas das eólicas mais próximas do local. 


Enquanto me deliciava com aqueles momentos de descanso, observação e comilança, presenciei o encontro de dois americanos do Tennessee.

Embora não se conhecessem, reconheceram-se americanos oriundos do mesmo estado. O mais americano dos dois, aproximou-se do conterrâneo, de alguma forma já sabendo ser ele também do Tennessee, e perguntou em francês que língua ele falava. Diante do embaraço do outro, revelou-se americano falando em inglês, e descobrindo saber serem ambos do mesmo estado de origem, abraçaram-se um sorridente, e o outro, autor da brincadeira, "gargalhante".

Um terceiro peregrino entrou na conversa, talvez porque acompanhava o menos americano dos dois, pois este aparentava tratar-se de um americano imigrante. Ele apresentou-se dizendo ser Peruano. O americano autêntico então falou assim:

-"Hahhh!!! Peruano? Então somos os três, todos americanos!!! E gargalhava parecendo ter feito uma piada por demais inspirada!

A você soaria como comentário despretensioso? humor desfocado? Gozação? 

Bom! Terminei o meu lanche. Camila já havia se despedido e partido à frente. Era hora de repor a mochila nas costas e prosseguir por um caminho pedregoso e íngreme, que iniciava uma longa descida. Regulei a mochila para descer e preparei-me para a mudança do "modo subida" para o "modo descida".


Minha próxima cidade de passagem seria Uterga.


As fotos a seguir são do trecho Monte do Perdão - Uterga.



























Fazia calor quando fotografei Uterga! As variações climáticas ao longo de uma mesma jornada, promovem em nós peregrinos, o chamado efeito cebola. Estamos sempre a retirar e depois repor, camadas de roupas para nos adequar às novas temperaturas.

Fazer estas fotos demandaram certa determinação, pois além do calor eu já estava com muita fome outra vez! Escolhi Muruzábal para a minha próxima parada. O restaurante fica à esquerda, na saída da cidade, que está a a dois e meio quilômetros do desvio para Eunate.





Andei só e sem avistar ninguém, desde o Morro do Perdão. Chegando ao restaurante, estavam quase todos lá! Por pouco não encontro onde sentar, naquele que me pareceu o único restaurante de Muruzábal. 

Alemães, Ingleses, franceses e demais europeus, pareciam no jardim da própria casa, em dia de verão, expondo-se aliviado de roupas ao sol, diante de enormes copos de chopp.

Tratei de igualá-los no Chopp enquanto aguardava meu lanche reforçado, e uma vez ao ar livre, tratei de me descalçar e descansar por uma boa meia hora, quem sabe até um pouco mais.

Nesta parte do dia quando o sol está "a pino" o rendimento cai! Os quilômetros viram milhas, ou mais do que isso! Ás vezes, ao fim das jornadas, é como se a cada novo passo que damos, a cidade de destino recuasse um passo também. 

Ao chegar finalmente, a sensação pode ser a de:
- ahhhhh! te peguei!!!

Finalmente deixei aquele oásis para pegar a estrada outra vez. À saída encontrei chegando ao restaurante, Paolo, Douglas e Roseli. Eu refeito, eles por se refazer. Cumprimentamo-nos felizes por diferentes motivos e parti sozinho em direção a Puente La Reina.

Estas são algumas fotos da saída de Muruzábal, e do trecho inicial do Caminho.














Caminhei prevenido que para visitar a Ermida secular de Eunate, teria que ficar atento ao desvio do Caminho oficial. O desvio acrescentaria teoricamente, aproximadamente 3,5 km à distancia a Puente La Reina.


Cheguei ao desvio. Embora a indicação fosse de apenas 2 km até Eunate, a mim pareceu MUITO mais! Sem falar no trecho de Eunate até Puente La Reina, percorrido no Caminho aragonês.

Para Puente La Reina convergem os Caminhos francês e aragonês. De Eunate até Puente La Reina, percorremos trecho do Caminho aragonês.

À entrada do desvio, atravessei uma simpática cidade, ainda que deserta, e em seguida retomei um caminho rural sem sinais de vida. Pareceu não haver moradores, até porque quase não se viam casas, e nem mesmo algum peregrino.


























As placas indicativas de Eunate, eram por demais esparsas. Ás vezes era natural pensar se eu estaria mesmo no caminho certo. 

Por vezes lembrei do quanto fora prevenido para o risco oferecido pelos cães fora do Caminho oficial. Diferentemente dos cães no Caminho oficial, eles podem atacar. 

Cães que encontramos enquanto andamos pelas trilhas oficiais, são acostumados com peregrinos. Por mais que possamos nos tensionar com belos espécimes de pastores alemães ao largo, terminamos nos habituando. Eles terminam passando por nós como se fossemos invisíveis. Alguns até parecem sorrir!

Por um momento pensei se melhor não seria desistir de Eunate, e voltar! Foi quando avistei a placa da imagem a seguir:


Perros = cachorro. Cão. 
(No caso daqueles fora do Caminho)
Se pelo menos eu não conhecesse nenhuma palavra de Espanhol!

Pensei: sou um gato, ou um rato? Me senti mais para rato, e fui em frente! Aventura é aventura! 

Prossegui até chegar a Eunate, sem encontrar uma viva alma. Nem mesmo a de um filhote de cão.










A visão de Eunate foi tranquilizadora. Mostrarei um pouco mais desta Ermida, na próxima postagem.

Até breve!

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