Andando só pela primeira vez desde o início do Caminho, quatro dias atrás, saí mais cedo do que já tornara-se habitual. Saí tão logo o dia clareou, por volta das 6h 15.
O Albergue Xarma fica em uma das avenidas principais do centro de Pamplona, mas quase sem nenhum movimento àquela hora da manhã.
O Albergue Xarma fica em uma das avenidas principais do centro de Pamplona, mas quase sem nenhum movimento àquela hora da manhã.
Por um bom tempo percorri ruas e mais ruas da cidade, contornando e atravessando Parques, até finalmente perceber que começava a alcançar a periferia, e vislumbrar o caminho de terra batida que conduziria a Cizur Menor.
Pelo caminho era possível vislumbrar demais peregrinos que, pelo seu caminhar, me convenciam cada vez mais ser eu de todos o mais lento.
Foi nesse passo e observando sempre arredor, que prossegui tirando muitas fotos, e despreocupado que assim pudesse estar atrasando alguém pois não tinha ninguém para eu atrasar!
Caminhar cedo ainda que sob temperaturas em torno de 10º C como neste dia, foi muito agradável! A sensação de frio logo passa para quem, caminhando e tendo a mochila às costas, mantém um ritmo regular, não importa que igual ao meu!
Uma primeira passagem sob expectativa de todos ao longo desta jornada Pamplona - Puente La Reina, não tardaria a despontar: O Monte do Perdão.
Alguns quilômetros antes disso, passou por mim uma peregrina que me desejou "Buen Camino" mas não desapareceu à minha frente como era habitual que acontecesse.
Caminhávamos então lado a lado, mantendo uma distância um do outro de apenas uns 30 cm, ficando eu atrás somente por uma questão de cavalheirismo.
Lembrei de Paolo, o atleta vagaroso sobre o qual já comentei, que após machucar os dois joelhos na descida dos Pirineus, ficou semelhante a Usain Bolt daqui a uns 60 anos.
Deduzí, considerando que a peregrina deveria ter uns 30 anos, e que à semelhança de um passarinho que não voa mesmo quando tem necessidade, ela deveria estar machucada.
Puxei conversa!
Tratava-se de Camila, uma paulistana machucada! Sim! Acertei! Morara dois anos em Madrid. Falou-me dos brasileiros que já encontrara ao longo do Caminho, e do quanto lhe incomodava a perna que não parava de doer. Ansiava chegar ao Morro do Perdão, e foi na dúvida de quem chegaria lá por último, que juntos lá chegamos.
Camila.
Meus passos eram lentos mas firmes! O meu ritmo era constante, e inalterada era também a minha boa disposição. Se alguém em mim prestasse atenção, não seria de admirar, pois não estaria falseando a razão de comparar-me a uma Ferrari velha, andando bem devagarinho! :-)
Por isso foi com surpresa que, após mais alguns passos no "modo ladeira", vi-me no topo do Morro do Perdão. Aquelas esculturas tipo silhuetas, homenagem aos peregrinos, achei uma ideia brilhante se foi intencional a alusão à perda de peso que teríamos até o fim do Caminho.
Aqui eu já começava a emagrecer,
mas não tanto que já merecesse a homenagem!
Eu tinha um pequeno tripé e controle remoto para acionar a câmera.
Impossível porém usá-los! Sempre havia alguém para bater a foto.
Encerrarei essa postagem, proporcionando através de dois vídeos, uma ideia mais realista do Morro do Perdão. senão pelo frio, mas quem sabe pelo vento e aglomeração de peregrinos no lugar.
(Não percam os próximos passos dessa jornada.)

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